BLOG
Reinaldo Azevedo
"Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem" — Robert Musil em "O Homem sem Qualidades"

Sábado, Julho 01, 2006

O asno, o rei e eu

Um bom poema de um mau poeta é sempre um acontecimento interessante. Porque é preciso atravessar a ruindade do que ele escreve para encontrar, entre os escolhos, algo que preste. Assim é com Chanson du Mois de Mai, do antigamente popularíssimo Jacques Prévert. E não é o poema todo que presta, não. Tem uma estrofe final de uma idiotia rara. Mas as duas primeiras são encantadoras — e talvez ele jamais tenha sabido por quê. Vejam aí: há um fatalismo banal nos versinhos que pode nos ajudar.

L’âne le roi e moi
Nous serons morts demain
L’âne de faim
Le roi d’ennui
Et moi d’amour

Um doigt de craie
Sur l’ardoise des jours
Trace nos noms
El le vent dans les peupliers
Nous nomme
Âne Roi Homme

Fica assim:

O asno o rei e eu
Estaremos mortos amanhã
O asno de fome
O rei de tédio
E eu de amor

Um dedo de giz
Sobre a lousa dos dias
Escreve nossos nomes
E o vento nos álamos
Nos denuncia
Asno Rei Homem

O resto é baboseira. A última estrofe é a catástrofe:

La vie est une cerise
La mort est un noyau
L’amour um cerisier

A vida é uma cereja
A morte é um caroço
O amor uma cerejeira

Não é impressionante? Tivesse parado lá em cima, havia uma pequenina jóia da poesia popular. Não! Em vez disso, bom francês, foi se meter a filosofar. Deu no que deu: “O amor é uma cerejeira”... Deveria ter feito como Zidane: nem mais nem menos. Só o essencial.

O avanço da democracia, segundo Rimbaud

Rimbaud pode ser superestimado, mas tinha grande valor. Veja o texto Democracia, que está em Iluminações. Para bom leitor, o que aí vai basta. Se você ficar tristinho com o que o garoto dizia sobre a democracia e a civilização, sempre resta combater as palavras abaixo com Walt Whitman... Uma tradução (tão literal quanto possível) e os versos originais.

Democracia

Avança a bandeira na paisagem imunda, e nossa fala bárbara abafa o tambor.
Nos centros, alimentaremos a prostituição mais cínica. Massacraremos as revoltas lógicas.
Aos países apimentados e inundados – a serviço das mais monstruosas explorações industriais e militares.
Adeus aqui, não importa em que lugar. Recrutas de coragem, nós teremos a filosofia feroz, ignorantes da ciência, fustigados pelo conforto; o mundo que se arrebente. É a verdadeira marcha. Adiante, a caminho!


Démocratie

"Le drapeau va au paysage immonde, et notre patois étouffe le tambour.
"Aux centres nous alimenterons la plus cynique prostitution. Nous massacrerons les révoltes logiques.
"Aux pays poivrés et détrempés! - au service des plus monstrueuses exploitations industrielles ou militaires.
"Au revoir ici, n'importe où. Conscrits du bon vouloir, nous aurons la philosophie féroce; ignorants pour la science, roués pour le confort; la crevaison pour le monde qui va. C'est la vraie marche. En avant, route!"

Au Lecteur, outro de Baudelaire

E, abaixo, o clássico dos clássicos de As Flores do Mal. A primeira estrofe conta tudo (vai em sentido quase literal, hein...). E a última (idem) não poderia ser mais eloqüente.

A tolice, o pecado, o engano, a pequenez
Ocupam nosso espírito, escravizam nosso corpo,
E nós alimentamos nossos amáveis remorsos
Como os mendigos nutrem seus parasitas
(...)
É o tédio! O olhar tomado de um choro involuntário,
Ele sonha com o cadafalso, fumando seu cachimbo.
Tu conheces, leitor, este monstro delicado,
- Leitor dissimulado — meu semelhante – meu irmão!


Au Lecteur

La sottise, l'erreur, le péché, la lésine,
Occupent nos esprits et travaillent nos corps,
Et nous alimentons nos aimables remords,
Comme les mendiants nourrissent leur vermine.

Nos péchés sont têtus, nos repentirs sont lâches;
Nous nous faisons payer grassement nos aveux,
Et nous rentrons gaiement dans le chemin bourbeux,
Croyant par de vils pleurs laver toutes nos taches.

Sur l'oreiller du mal c'est Satan Trismégiste
Qui berce longuement notre esprit enchanté,
Et le riche métal de notre volonté
Est tout vaporisé par ce savant chimiste.

C'est le Diable qui tient les fils qui nous remuent!
Aux objets répugnants nous trouvons des appas;
Chaque jour vers l'Enfer nous descendons d'un pas,
Sans horreur, à travers des ténèbres qui puent.

Ainsi qu'un débauché pauvre qui baise et mange
Le sein martyrisé d'une antique catin,
Nous volons au passage un plaisir clandestin
Que nous pressons bien fort comme une vieille orange.

Serré, fourmillant, comme un million d'helminthes,
Dans nos cerveaux ribote un peuple de Démons,
Et, quand nous respirons, la Mort dans nos poumons
Descend, fleuve invisible, avec de sourdes plaintes.

Si le viol, le poison, le poignard, l'incendie,
N'ont pas encor brodé de leurs plaisants dessins
Le canevas banal de nos piteux destins,
C'est que notre âme, hélas! n'est pas assez hardie.

Mais parmi les chacals, les panthères, les lices,
Les singes, les scorpions, les vautours, les serpents,
Les monstres glapissants, hurlants, grognants, rampants,
Dans la ménagerie infâme de nos vices,

Il en est un plus laid, plus méchant, plus immonde!
Quoiqu'il ne pousse ni grands gestes ni grands cris,
Il ferait volontiers de la terre un débris
Et dans un bâillement avalerait le monde;

C'est l'Ennui! L'oeil chargé d'un pleur involontaire,
Il rêve d'échafauds en fumant son houka.
Tu le connais, lecteur, ce monstre délicat,
Hypocrite lecteur, — mon semblable, — mon frère!

Um Baudelaire pra nós, não pra eles

Também eles merecem. Abaixo, um poema de Baudelaire, extraído de As Flores do Mal

Le Guignon

Pour soulever un poids si lourd,
Sisyphe, il faudrait ton courage!
Bien qu'on ait du coeur à l'ouvrage,
L'Art est long et le Temps est court.

Loin des sépultures célèbres,
Vers un cimetière isolé,
Mon coeur, comme un tambour voilé,
Va battant des marches funèbres.

- Maint joyau dort enseveli
Dans les ténèbres et l'oubli,
Bien loin des pioches et des sondes;

Mainte fleur épanche à regret
Son parfum doux comme un secret
Dans les solitudes profondes.


Uma versão não poética da segunda estrofe: "Longe das sepulturas célebres,/Num cemitério distante,/ Meu coração, como um tambor encoberto/ vai soando as marchas fúnebres." É isso aí. “A arte é longa, o tempo é breve’.

Silêncio em Banânia, com rojões de desespero

Baixou o silêncio em Banânia. Alguns rojões de desespero explodem no céu como uma espécie de desaforo. A alegria represada é engolida, e um súbito vazio toma conta das consciências. Falei com um amigo enquanto a Marselhesa era tocada. Liguei para provocar: “Há um revolucionário adormecido em mim; não deixo de me emocionar com aquele banco de sangue em versos”. Ele riu: “Vamos perder. Somos fregueses da França”. Eu me despedi dizendo qualquer coisa como um “Tomara que não!”. Ainda antes comentei a faixa contra o racismo aberta em campo. Achei um mau presságio. Protestos dessa natureza mobilizam sentimentos de solidariedade dos que estão historicamente por baixo e açula o complexo de inferioridade. Não se vai para uma disputa sem sentir gosto de sangue na boca. Thierry Henry fez o gol. Negro. E aquele que disse que o Brasil é bom no futebol porque, em vez de ir pra escola, fica jogando bola na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé. Ele estudou oito horas por dia. Os nativos reagiram indignados. A gente não consegue deixar de ser escravo. E isso não tem nada a ver com a história. É complexo de vira-lata mesmo. Thierry sabe a diferença entre a civilização e a quase barbárie em que vivemos, de que o futebol pretende ser a única ilha de excelência. A chamada “crônica” especializada, que já havia nomeado Kaká o comandante em campo (pfui...), vai cair de pau em Parreira. Besteira. Esses babacas acham que nos faltou mais ginga. Não! Faltou Zidane, alguma herança cartesiana (mesmo o homem sendo um pied noir, vindo da colônia. Mas sabem cumé... Os franceses oprimiam os povos distantes com sua escola. Depois eles foram expulsos, e os nativos preferiram o confronto tribal. Dava para ver o geômetra em campo, jogando sozinho, como que protegido por um campo de força. Não havia nada de místico: pura racionalidade, ocupação dos espaços vazios. É assim que funciona. Ah, sim: se eu vir Ronaldinho Gaúcho fazendo malabarismo com bola em sinal de trânsito, não dou a ele um tostão. Fecho o vidro.

O pior primeiro tempo desde o começo da Copa

O resultado é, até agora, injusto para a Franca. Queriam Juninho Pernambucano. Ele está lá. Queriam Ronaldinho Gaúcho na frente. Ele está. E nada. Já dei a ele meu ultimato: ou desencanta ou vai fazer malabarismo em sinal de trânsito. O Brasil joga com dez e sem oito: Kaká inexiste em campo. Zidane voltou a ser o maestro do meio-campo e do jogo cadenciado. É um espanto que seja assim — não por suas qualidades, imensas, mas porque esse é um dos pilares da visão que Parreira tem do futebol. Nada acontece. Os franceses até que esperaram um pouquinho: diante da apatia brasileira, partiram para cima. Resta torcer para que a bola espirre no pé do Gordo. Aí vamos ver. Em tempo: a França merecia estar na frente porque jogou muito melhor o primeiro tempo, não por causa daquele lance absurdo da “bola na mão”, e não da “mão na bola” de Ronaldo. Só não teria acontecido se ele fosse maneta. Agora, se aconteceu e se o juiz marcou, como foi dentro da área, então foi pênalti. Foi o pior primeiro tempo do Brasil desde o início da Copa. Vamos ver se eles acordam. Por enquanto, está mais para Diazepan do que para Prozac.

O esforço é grande e o homem é pequeno

E agora Padrão, em homenagem a Felipão, o "Diogo Cão" (pesquisem) um tanto às avessas. Também de Mensagem

O esforço é grande e o homem é pequeno
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
este padrão ao pé do areal moreno
e para deante naveguei.

A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão signala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por fazer é só com Deus.

E ao immenso e possível oceano
Ensinam estas quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é portuguez.

E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.

Agora Fernando Pessoa, de Mensagem

O poema abaixo é, na minha opinião, um dos melhores de "Mensagem" porque na fronteira entre o épico e o lírico, entre a causa como fatalidade ou contingência histórica e o indivíduo.

O INFANTE

Deus quere, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quiz que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou creou-te portuguez.
Do mar e nós em ti nos deu signal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Portugal ganhou, então Camões n'Os Lusíadas

«E disse: "Ó gente ousada, mais que quantas
No mundo cometeram grandes cousas,
Tu, que por guerras cruas, tais e tantas,
E por trabalhos vãos nunca repousas,
Pois os vedados términos quebrantas
E navegar meus longos mares ousas,
Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho,
Nunca arados de estranho ou próprio lenho;
(...)
"Sabe que quantas naus esta viagem
Que tu fazes, fizerem, de atrevidas,
Inimiga terão esta paragem,
Com ventos e tormentas desmedidas!
E da primeira armada, que passagem
Fizer por estas ondas insofridas,
Eu farei de improviso tal castigo,
Que seja mor o dano que o perigo!
(...)
"Eu sou aquele oculto e grande Cabo
A quem chamais vós outros Tormentório,
Que nunca a Ptolomeu, Pompónio, Estrabo,
Plínio, e quantos passaram, fui notório.
Aqui toda a Africana costa acabo
Neste meu nunca visto Promontório,
Que pera o Pólo Antárctico se estende,
A quem vossa ousadia tanto ofende.

E por falar em bola...

Entrando no espírito da coisa, selecionei abaixo alguns textos sobre futebol. Na seqüência, o de sempre: as manchetes do dia e o clipping dos jornais com notícias que o blog não postou ontem. Vamos lá, camaradas! Nada a perder a não ser o jogo. Por isso, prudência, bola no pé e geometria. Tudo isso que deixa o populismo da crônica esportiva morrendo de ódio. Os dois Ronaldos lá na frente com Juninho Pernambucano.

A Poesia de Chuteiras 5 - Vinicius de Moraes

O anjo de pernas tortas

A um passe de Didi, Garrincha avança
Colado o couro aos pés, o olhar atento
Dribla um, dribla dois, depois descansa
Como a medir o lance do momento.

Vem-lhe o pressentimento; ele se lança
Mais rápido que o próprio pensamento,
Dribla mais um, mais dois; a bola trança
Feliz, entre seus pés – um pé de vento!

Num só transporte, a multidão contrita
Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.

Garrincha, o anjo, escuta e atende: Gooooool!
É pura imagem: um G que chuta um O
Dentro da meta, um L. É pura dança!

A Poesia de Chuteiras 4 - Ferreira Gullar

O Gol

A esfera desce
do espaço
veloz
ele a apara
no peito
e a pára
no ar
depois
com o joelho
a dispõe a meia altura
onde
iluminada
a esfera
espera
o chute que
num relâmpago
a dispara
na direção
do nosso
coração.

A Poesia de Chuteiras 3 - João Cabral de Melo Neto

Ademir da Guia

Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líquido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o

Ritmo morno, de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando

o mais irrequieto adversário.

*
João Cabral foi jogador de futebol na juventude, e este poema, como se vê, foi feito em homenagem a Ademir da Guia, jogador do Palmeiras. Dedicou outros ao tema, como o que segue:

O futebol brasileiro evocado da Europa

A bola não é a inimiga
como o touro, numa corrida;
e, embora seja um utensílio
caseiro e que se usa sem risco,
não é o utensílio impessoal,
sempre manso, de gesto usual:
é um utensílio semivivo,
de reações próprias como bicho
e que, como bicho, é mister
(mais que bicho, como mulher)
usar com malícia e atenção
dando aos pés astúcias de mão.

A Poesia de Chuteiras 2 - Oswald de Andrade

Um monumento aos Reis do Futebol

A Europa curvou-se ante o Brasil:
7 a 2
3 a 1
A injustiça de Cette
4 a 0
2 a 1
2 a 0
3 a 1
E meia dúzia na cabeça dos portugueses.


PS: O poeta se refere ao time Paulistano, em excursão pela Europa em 1925. Só perdeu para o Cette (hoje em dia, Sète)

A Poesia de Chuteiras 1 - Carlos Drummond

O poema-quase-prosa abaixo é de Carlos Drummond de Andrade e está no livro Versiprosa. Foi escrito em 30 de maio de 1970. Fala por si mesmo. Dispenso-me de fazer comentários.

Prece do brasileiro
Carlos Drummond de Andrade

Meu Deus,
só me lembro de vós para pedir,
mas de qualquer modo sempre é uma lembrança.
Desculpai vosso filho, que se veste
de humildade e esperança
e vos suplica: Olhai para o Nordeste
onde há fome, Senhor, e desespero
rodando nas estradas
entre esqueletos de animais.

Em Iguatu, Parambu, Baturité,
Tauá
(vogais tão fortes não chegam até vós?)
vede as espectrais
procissões de braços estendidos,
assaltos, sobressaltos, armazéns
arrombados e – o que é pior – não tinham nada.
Fazei, Senhor, chover a chuva boa,
aquela que, florindo e reflorindo, soa
qual cantata de Bach em vossa glória
e dá vida ao boi, ao bode, à erva seca,
ao pobre sertanejo destruído
no que tem de mais doce e mais cruel:
a terra estorricada sempre amada.
Fazei chover, Senhor, e já! numa certeira
ordem às nuvens. Ou desobedecem
a vosso mando, as revoltosas? Fosse eu Vieira
(o padre) e vos diria, malcriado,
muitas e boas... mas sou vosso fã
omisso, pecador, bem brasileiro.
Comigo é na macia, no veludo/lã
e matreiro, rogo, não
ao Senhor Deus dos Exércitos (Deus me livre)
mas ao Deus que Bandeira, com carinho
botou em verso: “meu Jesus Cristinho”.
E mudo até o tratamento: por que vós,
tão gravata-e-colarinho, tão
vossa excelência?
O você comunica muito mais
e se agora o trato de você,
ficamos perto, vamos papeando
como dois camaradas bem legais,
um, puro; o outro, aquela coisa,
quase que maldito
mas amizade é isso mesmo: salta
o vale, o muro, o abismo do infinito.
Meu querido Jesus, que é que há?
Faz sentido deixar o Ceará
sofrer em ciclo a mesma eterna pena?

E você me responde suavemente:
Escute, meu cronista e meu cristão:
essa cantiga é antiga
e de tão velha não entoa não.
Você tem a Sudene abrindo frentes
de trabalho de emergência, antes fechadas.
Tem a ONU, que manda toneladas
de pacotes à espera de haver fome.
Tudo está preparado para a cena
dolorosamente repetida
no mesmo palco. O mesmo drama, toda vida.

No entanto, você sabe,
você lê os jornais, vai ao cinema,
até um livro de vez em quando lê
se o Buzaid não criar problema:
Em Israel, minha primeira pátria
(a segunda é a Bahia)
desertos se transformam em jardins
em pomares, em fontes, em riquezas.
E não é por milagre:
obra do homem e da tecnologia.
Você, meu brasileiro,
não acha que já é tempo de aprender
e de atender àquela brava gente
fugindo à caridade de ocasião
e ao vício de esperar tudo da oração?

Jesus disse e sorriu. Fiquei calado.
Fiquei, confesso, muito encabulado,
mas pedir, pedir sempre ao bom amigo
é balda que carrego aqui comigo.
Disfarcei e sorri. Pois é, meu caro.
Vamos mudar de assunto. Eu ia lhe falar
noutro caso, mais sério, mais urgente.

Escute aqui, ó irmãozinho.
Meu coração, agora, tá no México
batendo pelos músculos de Gérson,
a unha de Tostão, a ronha de Pelé,
a cuca de Zagalo, a calma de Leão
e tudo mais que liga o meu país
e uma bola no campo e uma taça de ouro.
Dê um jeito, meu velho, e faça que essa taça
sem milagres ou com ele nos pertença
para sempre, assim seja... Do contrário
ficará a Nação tão malincônica,
tão roubada em seu sonho e seu ardor
que nem sei como feche a minha crônica.

Futebol na manchete do jornais

Estado: A Seleção em busca do erro zero
Folha: Ou vai ou racha

O Globo: Argentina cai. O Brasil é o continente hoje

Estado 3 - Propaganda oficial já está proibida

Por Carlos Marchi: "A Lei Eleitoral iguala, a contar de hoje, as oportunidades dos candidatos às eleições de outubro. Daqui por diante, o presidente da República e os governadores candidatos à reeleição não mais podem fazer propaganda oficial, a não ser em caráter de emergência, nem comparecer a inaugurações, usar a distribuição de benefícios de programas sociais em seu favor, dar aumento a servidores que excedam a recomposição de perdas, fazer transferências voluntárias a Estados ou municípios e nomear, exonerar ou transferir servidores.A partir de hoje, também, os Estados terão juízes especiais (os chamados juízes auxiliares do Tribunal Regional Eleitoral) para julgar os casos de propaganda indevida e desatenção ao que a Justiça Eleitoral chama de "condutas vedadas". Outros casos irão a julgamento do próprio TRE. Em São Paulo, os três juízes serão James Alberto Siano, Roberto Antônio Belocchi e José Percival Albano Nogueira. Além dessas instâncias, todos os juízes terão poder de polícia eleitoral em suas jurisdições, embora não possam julgar as eventuais transgressões."

Estado 2 - E Lula cobra mais eleitoralismo oficial

De Leonencio Nossa: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a queda da vantagem sobre o adversário Geraldo Alckmin (PSDB) nas pesquisas foi um alerta para petistas e aliados deixarem de andar de "salto alto". Em conversa com três ministros na manhã de ontem, ele avaliou que os números eram esperados e acusou a imprensa de criar a imagem do "Lula imbatível", só para dar destaque ao crescimento natural do candidato tucano."Mais dia, menos dia, esses números iriam aparecer", disse o presidente, segundo relato de participantes do encontro. "Eles (veículos de comunicação) vão explorar muito isso contra mim, como se os dados fossem ruins." Na conversa, Lula reclamou da falta de empenho de assessores e até de ministros na sua campanha. "As pesquisas são boas para mobilizar quem está acomodado, para chamar atenção da militância", disse. Clique aqui para ler mais

Estado 1 - Tesoureiro de Lula, ONG e ilegalidades

Por Ricardo Brandt: "O novo tesoureiro da campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o prefeito de Diadema, José de Filippi Júnior (PT), reproduz em seu governo contratações que estiveram associadas a escândalos de outras administrações petistas, como a do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e da ex-prefeita Marta Suplicy.Foco de uma devassa em seus governos municipais nos últimos anos, o PT é acusado de montar uma ampla rede de corrupção e fraude em contratos de suas prefeituras, que alimentou o caixa 2 do partido.Em Diadema, um dos problemas detectados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) foi a contratação do Instituto de Organização Racional do Trabalho (Idort), um velho conhecido das gestões petistas.Foram três contratos durante seus governos (1993-1996, 2001-2004 e 2005-2006), dois deles julgados irregulares pelo TCE, por terem sido feitos sem licitação. O terceiro contrato ainda aguarda julgamento." Clique aqui para ler mais

Folha 2 - Pesquisas levam o PT a mudar de tom

Ao comentar o resultado da última pesquisa Datafolha, que apontou crescimento do candidato Geraldo Alckmin (PSDB), o presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse ontem que é uma "avaliação arrogante" trabalhar com a certeza de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno. Levantamento do Datafolha publicado ontem mostrou crescimento de Alckmin de 22% para 29% entre os finais de maio e junho. Nesse período, Lula oscilou de 45% para 46%. Pesquisa do Vox Populi, feita antes da do Datafolha, mas divulgada somente ontem, também mostrou queda da distância entre os dois candidatos. Apesar de citar a hipótese de segundo turno, Berzoini afirmou que a pesquisa Datafolha não causou preocupação entre os petistas. ‘Assim como nós não nos entusiasmamos com as pesquisas anteriores, não nos assustamos com a atual’, disse.Jilmar Tatto, que participa da coordenação da campanha petista, foi mais direto. "O mote é o seguinte: a eleição não está ganha, vai ser difícil, vai ter primeiro e segundo turno e nós precisamos mobilizar a militância e a base social do PT." Tatto afirmou ainda que o ex-presidente da CUT João Felício foi escolhido como coordenador dos movimentos sociais na campanha.”

Folha 1 - PSDB e PFL: pacto de não agressão

"A coordenação da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) vai criar um "plano de convivência" com o objetivo de evitar que os impasses regionais entre PSDB e PFL prejudiquem a candidatura nacional e provoquem uma "saia justa" em visitas do presidenciável.As regras do plano serão definidas na próxima reunião do conselho político, marcada para terça-feira. Basicamente, o pacto servirá para evitar a troca de ataques mais duros entre tucanos e pefelistas nos programas de rádio e TV nos Estados em que os dois partidos estiverem em palanques opostos.Os coordenadores da campanha avaliam que a troca de farpas confunde o eleitor e aumenta o constrangimento de Alckmin durante as viagens.A idéia é que, antes de cada viagem do presidenciável, os coordenadores regionais façam reuniões com lideranças dos dois partidos para organizar a divisão de agenda e reforçar o pacto de não-agressão."

Veja 4 - Diogo Mainardi: "Vou embora"

Trechos das coluna de Diogo Mainardi: "Uma senhora me abordou na rua. Eu sou muito abordado em Ipanema. Ninguém aqui engole o Lula. Por isso me abordam. Para falar mal dele. O tempo todo. Com as piores ofensas. É meio aborrecido para mim. Estou enjoado do Lula. Quero me desatrelar dele. Quero parar de comentar suas asneiras. Mas agora é tarde. Lula sou eu. Lula c'est moi.
Curiosamente, não foi para falar mal do Lula que aquela senhora me abordou na rua. Foi para falar mal de mim. Ela queria que eu arrumasse as malas e fosse embora do Brasil. Para sempre. Eu e meus descendentes. Porque o Brasil, segundo ela, não é um lugar para quem não gosta do Brasil. (...)
Ela está certa, claro (...). Tenho de dar um jeito de me mandar daqui.
Cada um tem seu talento. O meu é ir embora do Brasil. Ninguém sabe ir embora do Brasil com mais engenho do que eu. É nisso que sou bom. E só nisso. Se ir embora do Brasil fosse pintura, eu seria Michelangelo. Se ir embora do Brasil fosse literatura, eu seria Flaubert. De uma hora para a outra, consigo largar tudo e partir. (...)"
Para ler mais, clique aqui

Veja 3 - A aftosa ideológica que derrubou Rodrigues

Veja traz também uma reportagem sobre o pedido de demissão de Roberto Rodrigues do Ministério da Agrocultura: “Desde que assumiu o cargo, no início do mandato de Lula, Roberto Rodrigues vinha travando sucessivas batalhas contra os setores mais atrasados do governo petista. Na discussão sobre os transgênicos, engalfinhou-se publicamente com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, contrária ao plantio e à comercialização desses produtos. A muito custo, o ministro conseguiu imunizar o governo contra o vírus ideológico que contaminava a discussão. Venceu a batalha, não a guerra. De lá para cá, Rodrigues vinha perdendo todas as disputas em que se envolveu. O orçamento de seu ministério minguou em plena crise da febre aftosa. A desvalorização cambial, associada à estiagem, produziu uma monumental quebradeira no campo – e o ministro colheu apenas vento quando tentou convencer a área econômica a socorrer os agricultores falidos. Conforme cálculos do próprio governo, as perdas na agricultura chegam a 30 bilhões de reais nos últimos dois anos. ‘A crise será a marca da minha gestão’, resumiu o ministro ao anunciar sua saída." Assinantes lêem mais aqui

Veja 2 - O bioterrorismo dos petistas

"O técnico em administração Luiz Henrique Franco Timóteo, 54 anos, foi ouvido pela Polícia Federal na semana passada. Em depoimento de quatro horas, ele confirmou ter sido um dos responsáveis pela disseminação proposital da praga conhecida como vassoura-de-bruxa, que devastou as plantações de cacau do sul da Bahia no início dos anos 90. Conforme afirmara em reportagem publicada por VEJA, Franco Timóteo confirmou que agiu em conjunto com cinco funcionários da Ceplac, o órgão do Ministério da Agricultura responsável pelo cacau. O técnico contou que, no fim da década de 80, quando militava no PDT, se juntou a cinco servidores da Ceplac, todos militantes petistas, e eles decidiram sabotar as plantações do sul da Bahia para minar o poder político e econômico dos barões do cacau." Leia mais aqui se assinante

Veja 1 - O Vampiroduto do PT

E não é que ele esta de volta? Vocês se lembram dos vampiros da Saúde? Pois é, Veja traz na edição desta semana uma reportagem intitulada “O Vampiroduto do PT”. A revista entrevistou dois integrantes da quadrilha. Segue um trecho da reportagem: “Os dois, ouvidos sempre em conversas separadas, disseram a VEJA que Laerte Corrêa se aproximou da quadrilha no segundo semestre de 2003, alardeando influência junto ao governo. Dizia que sua missão era arrecadar dinheiro para o caixa petista e pleiteava uma parcela das propinas embolsadas pelos vampiros. "Laerte ligava a todo momento para Delúbio na minha frente, para contar detalhes do que estava acontecendo", diz um deles. Laerte Corrêa poderia ser um falastrão? Alguém que divulga influências e amizades que na verdade não tem? Quando o escândalo dos vampiros veio à tona, em maio de 2004, Delúbio Soares admitiu que tivera contato com Laerte Corrêa, mas apenas isso. "O Laerte prestava consultoria – é assim que ele falava – para os laboratórios. Até então não havia nada que depusesse contra ninguém", afirmou Delúbio, na época. Na realidade, as ligações entre ambos eram mais profundas. Conheceram-se na campanha presidencial de 2002, num jantar oferecido na casa do empresário Ivo Rosseti, em São Paulo, cujo objetivo era aproximar Lula do PIB nacional.” Se assinante, clique aqui para ler íntegra

Eu de chuteiras 2 - Thierry Henry tem razão

Ai, o nacionalismo, o refúgio dos canalhas! Há tantos brasileiros chocados com o jogador francês Thierry Henry... E o moço só não foi acusado de preconceito porque é preto. E o que ele disse de tão grave? Que o Brasil é bom no futebol porque as crianças, em vez de ficar na escola, ficam jogando bola. Não sei se ele está certo quanto à razão da excelência esportiva. Mas alguém duvida da porcaria que é a escola no Brasil? E ele até mostrou certo sotaque sociológico muito... francês: “É um time com uma identidade, que joga bola o tempo todo. Se eles ganham de 3 a 0 sem jogar bem, é uma catástrofe para o país. Existe uma identidade, como na Argentina, que não existe entre nós. Eles jogam na praia, na rua, até na estrada eles param para jogar... Eles nascem jogando futebol. Quando eu era pequeno, ia à escola das 8h às 17h, e minha mãe não me deixava descer para jogar. Eles jogam das 8h às 18h! Então, a técnica acaba vindo por isso". Basta ver a formação escolar dos jogadores brasileiros. Só são mais educados do que Lula. É claro que, se Herny fosse analfabeto, é discutível se seria, assim, um Ronaldo. Mas não há nada de absurdo nem de ofensivo no que ele disse. Leiam matéria que sai no Globo neste sábado. A maioria dos alunos da quarta série tem dificuldades de leitura. O desempenho na prova de português foi considerado “crítico”. Se não forem bons de bola, terão de disputar a Presidência da República. Clique aqui para ler reportagem

Eu de chuteiras 1 - O Gaúcho vai desencatar?

Estamos todos esperando Ronaldinho Gaúcho arrebentar nesta Copa, não é mesmo? Até agora, ele tem sido poupado pela chamada crônica esportiva, que não hesitou um minuto em pedir a cabeça do Gorducho, o maior goleador da história nesse tipo de competição. Tomara que ele desencante hoje contra a França. Já não agüento mais vê-lo em reportagens fazendo embaixadinhas e malabarismos com a bola, coisa que o Ronaldão não faz. Prefere jogar golfe. Não adianta: há pobre que já nasceu de casaca e bengala. Se a sorte vai ou não sorrir depois, aí é outra coisa. Se o Gaúcho não desencantar e insistir em número circense, deveria pegar os milhões que já acumulou e animar sinal de trânsito. Ou, então, embaixadinha por embaixadinha, Parreira que escale Milene, a ex do Fenômeno, para o seu lugar.

O Globo 4 - Meu artigo deste sábado no jornal

Por Reinaldo Azevedo: "Chamo o Brasil de 'Banânia' em meu blog. É uma homenagem a Ivan Lessa, que botou no Gigante Adormecido a alcunha de 'Bananão', e a Musil, de O homem Sem Qualidades. A não-ação do romance se passa em Kakânia, um lugar imaginário, metáfora da Áustria, onde uma contínua decadência da vida espiritual, dos valores e dos costumes vai recobrindo a existência e os dias. Em Kakânia, 'as pessoas eram negativamente livres, constantemente envoltas nos motivos insuficientes da própria existência, e banhadas pela grande fantasia do não-acontecido (...)' . O país imaginário de Musil não nos traduz exatamente porque dotado de algumas sutilezas que só podiam ser percebidas pela 'fina roupa de baixo da consciência' . Já o Bananão, de Lessa, confere a rusticidade que nos é devida. Como não somos mais tão grosseiramente inocentes, eis Banânia: misto de primitivismo e cinismo." Para ler a íntegra do artigo, clique aqui

O Globo 3 - Lula prefere pastor a aliado histórico

Por Dimmi Amora: “Com uma carta de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas mãos, o senador Marcelo Crivella (PRB), bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, anunciou ontem que vai disputar o governo do estado. Na convenção do partido, em Olaria, Crivella recebeu o vice-presidente José Alencar, que veio ao Rio a pedido do presidente Lula. Segundo ele, o petista fará campanha com Crivella no estado, mesmo com o PT tendo candidato próprio, Vladimir Palmeira. Depois de costurar alianças com o presidente regional do PMDB de São Paulo, Orestes Quércia, e com o ex-governador de Minas Newton Cardoso, também do PMDB, Lula agora fecha uma aliança informal com Crivella. Crivella tentou fazer alianças com partidos que tiveram representantes eleitos em 2002 até o último momento, mas conseguiu o apoio do PTN e do PRTB. Os partidos não acrescentam muito e ele deverá ter menos de um minuto de tempo de TV. Mesmo dizendo que seria importante ter tempo de TV, ele ironizou as alianças de outros candidatos puxando um coro durante seu discurso em que os convencionais gritavam: “Antes só do que mal acompanhado”. Leia mais. Para ver todos os candidatos do Rio, clique aqui.

O Globo 2 - Petista da Agricultura promete recursos

Por Cristiane Jungblut: “ Na tentativa de reduzir as críticas da bancada ruralista e o impacto da saída de Roberto Rodrigues do governo, o novo ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, anunciou ontem a liberação de recursos para o setor. Guedes disse que manterá o diálogo estreito com todos os segmentos vinculados ao setor agrícola e que esta foi uma orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, que anunciou a escolha de Guedes, disse que ele manterá a mesma linha técnica e política do ex-ministro Rodrigues. Guedes anunciou a liberação de R$ 42,6 milhões para o Prêmio ao Seguro Agrícola e disse que Lula prometeu mais recursos, se necessário: “Estou convencido de que o Ministério da Agricultura está trilhando o caminho certo e nos caberá apenas dar seqüência.” Leia mais

O Globo 1 - Briga nos Correios, onde tudo começou

Lembram-se dos Correios, onde tudo começou? Pois é. Leiam isto: Por Ilimar Franco, neste sábado: “Uma divergência entre o ministro das Comunicações, Hélio Costa, e a cúpula do PMDB governista está emperrando as negociações para mudanças na direção dos Correios. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), tinham a expectativa de que o ex-presidente do INSS Samir de Castro Hatem fosse nomeado ainda ontem para a presidência dos Correios. O nome de Samir Hatem, que integrou a equipe do Ministério da Previdência quando Jucá era ministro, consta de uma lista apresentada pelo PMDB e que está na Casa Civil. Além de Hatem, o PMDB governista reivindicou a nomeação de Paulo Lustosa, atual presidente da Funasa, para uma diretoria da Anatel, Paulo Pontes para a presidência da Conab e do agora candidato a vice na chapa do senador Teotônio Vilela (PSDB) ao governo de Alagoas, José Wanderley, para o Ministério da Saúde. ‘Existe uma indicação feita pelo PMDB. Isso ocorreu lá atrás. Mas não tenho informação de que vá sair’, disse o líder do governo, senador Romero Jucá. “Leia mais aqui

Sexta-feira, Junho 30, 2006

Israel-ANP: primeiro-ministro palestino aparece e diz que tudo não passa de um complô contra seu governo. É a voz de um louco homicida

“Antes da captura do soldado, o alto comando de Israel já tinha pronto um plano para minar o governo e humilhar o povo palestino. Agora eles estão executando esse plano. Eles nos querem de joelhos, rendidos”. A fala é do primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina, Ismail Hanyia, em sua primeira aparição pública desde que o soldado israelense Gilad Shalit foi seqüestrado, no domingo passado, por terroristas palestinos — entre eles, gente do Hamas, a corrente a que Hanyia pertence. Na operação, dois outros militares morreram. Ele afirmou ainda que está em contato com o Egito para tentar resolver a situação, mas que “os ataques israelenses só criavam dificuldades”. Mais: embora sob o disfarce de um governante, mas sempre um terrorista, disse que Israel tem de suspender as operações em Gaza se quer o soldado de volta. O porta-voz do Hamas, Mushir al-Masri, sustentou, naquele misto de banditismo e martírio: “Quanto mais Israel intensifica os ataques contra nós, mais se intensifica a unidade do povo palestino”. Eis aí como funciona a cabeça de terroristas. Mais um pouco, e Hanyia ainda acaba responsabilizando Israel pelo seqüestro de seu próprio soldado. A Faixa de Gaza está sendo alvo de ataques israelenses — em regiões desabitadas —, mas o tal Al-Masri, um tarado homicida, vê nisso fator de fortalecimento de seu povo. Nesta sexta, dois terroristas das Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, ligados à Fatah, foram mortos na Cisjordânia. Um terceiro, da Jihad Islâmica, morreu em Gaza, num hospital. Leia texto do New York Times clicando aqui

Acaba logo!

O homem quer é jogo. Enquanto o ministro da Educação, Fernando Haddad, discursava nesta sexta, pouco antes do confronto Alemanha-Argentina (vencido pelos alemães como castigo por Kirchner apoiar Lula), o Apedeuta olhava insistentemente para o relógio, doido para aquele palavrório acabar. Estava pertinho do começo do jogo. Haddad falava sobre o lançamento do programa Universidade Aberta do Brasil, dedicado ao ensino à distância. Lula, que não gosta de escola nem a queima-roupa, mal disfarçava a impaciência.

Marco Aurélio: "Lula está pagando para ver"

O presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello, reagiu com alguma ironia à decisão do governo de aumentar o salário do funcionalismo, mesmo que contrariando a lei. Referindo-se ao presidente Lula, afirmou: “Quem sabe ele está pagando para ver”. Mello conta com a ação do Ministério Público Eleitoral para obstar a decisão. Ciente de que o aumento, a menos 180 dias da eleição, é proibido, o Planalto editou Medidas Provisórias que reestruturam as carreiras. Trata-se de mera artimanha para driblar o impedimento legal. As oposições não vão, evidentemente, recorrer contra a decisão de Lula. É tudo aquilo com o que ele sonha.

Alckmin: guerra fiscal, China e reeleição

O candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, vai pegando jeito. Na sua passagem pelo Amazonas, indagado sobre eventuais problemas entre a Zona Franca de Manaus e a indústria de São Paulo, deu a resposta correta: o problema não é a guerra entre os Estados, mas a China, que o Brasil, equivocadamente, reconheceu como “economia de mercado”, mais um ato do Babalorixá de Banânia na esperança de que os chineses apoiassem o pleito do Brasil para integrar o Conselho de Segurança da ONU. Em troca, ganhamos a invasão de produtos chineses, mais do que antes, e uma banana. Alckmin se disse ainda contrário ao mandato único de cinco anos por causa da eventual descoincidência com as eleições do Legislativo. E deu a entender que um mandato de quatro anos está muito bom. Sou favorável a cinco sem reeleição. Mas concordo com ele que quatro é muito quando não se sabe o que quer — a Lula, bastaram dois para destruir o agronegócio...

Dirceu e a expressão bolchevique "inimigo do povo"

Eles não têm cura. O ex-ministro José Dirceu, aquele que foi cassado pela Câmara acusado de corrupção, escreve um artigo no site do PT que já se revela desde o título: “Os inimigos do povo”. São estas mesmas palavras, sem tirar nem pôr, as que os bolcheviques usavam, desde Lênin, para praticar suas atrocidades. Ser um “inimigo” do povo era a acusação que se fazia àqueles que Stálin queria eliminar durante os famigerados Processos de Moscou. Em contrapartida, O Amigo do Povo era como se chamava o jornal que era editado pelo jacobino Marat, na França, um dos mais celerados assassinos da Revolução Francesa. Em seu texto, publicado no site do PT, clique aqui, Dirceu critica os que consideram o Bolsa Família eleitoreiro, um “esmolão” (que é como este blog e Primeira Leitura — extinto — se referem ao programa). E manda bala, em sentido sempre metafórico: “A verdade nua e crua é essa: naquilo que a elite só enxerga ‘esmolão’, o que emerge é um novo modelo de desenvolvimento com distribuição de renda. A redução das desigualdades, entre 2002 e 2005, e a notada melhoria da qualidade de vida dos mais pobres, como constata a pesquisa da FGV, reafirmam a convicção de que não há desenvolvimento sem distribuição de renda.” E pensar que há ainda alguns ingênuos que têm José Dirceu como aliado contra o que seria “a verdadeira direita”. O modelo de desenvolvimento de Dirceu é esse aí: bolsa-esmola para os pobres que tanto felicitam Lula. Mais adiante, no que só pode ser piada involuntária ou, então, a arte requintada de um filósofo cínico, o homem escreve: “ (...) todo mundo sabe que a verdadeira ameaça ao país é a dívida interna, que dobrou em relação ao PIB, nos oito anos de mandato de FHC.” Para quem não ligou o nome à coisa, a dívida interna é aquela que está diretamente ligada à taxa de juros. Em 2002, o risco país era quase dez vezes maior do que hoje, e o país exportava a metade. Os juros reais que eram pagos estavam no mesmo patamar de agora. Mas, claro, o "Amigo do Povo", que finge acreditar que o Bolsa Miséria é distribuição de renda, não diz nada a respeito.

Procurador quer indiciamento de 42 parlamentares

O procurador-geral da República, Antonio Fernandes de Souza, não tem vergonha de ser um servidor público. E, felizmente, não é dado à prevaricação. Ele pediu hoje ao Supremo Tribunal Federal o indiciamento de 42 parlamentares envolvidos com a tal máfia das ambulâncias — os tais sanguessugas. É isso aí: até agora, a polícia federal só pegou lambari.

A enxurrada de tolices continua

E continua a enxurrada de tolices que pretende prender Geraldo Alckmin numa camisa-de-força de bom senso, bom comportamento e bom-mocismo. No caso do PT, trata-se,obviamente, de uma armadilha; no caso dos tucanos, é um misto de “amor” que sufoca com uma já conhecida incapacidade de falar duro. Tudo o que Lula mais teme é que seu governo seja desconstruído, especialmente aos olhos daqueles pobres que lhe dão tanto prazer. Eu reitero que existem as maiorias silenciosas que, até agora, não foram convocadas para a batalha. Qual será a agenda dessa gente? Com o que ela está preocupada? Lula é um lego de encaixes politicamente corretos. Ah, sim, a que tolices me refiro? "Geraldo cresceu porque apareceu na mídia". Não! Cresceu porque fez oposição a Lula e não teve receio do confronto. Hoje, por exemplo, já ficou sem bater. Está perdendo tempo.

Lula disputa eleição sem pedir licença

Ricardo Berzoini, o presidente do PT, é um homem que não cansa de não me surpreender. Não é que ele veio a público dizer que Lula não deve tirar licença do cargo para cuidar da campanha? Confessem: vocês todos esperavam o contrário, não é mesmo? Imaginem só, um Lula todo republicano, com aquele ar grave dos estadistas, anunciando o seu afastamento do cargo para não confundir partido com governo... Faz quase quatro anos que espero este senhor me mandar umas contas que ele prometeu num programa Roda Viva. Ele sustentou que, com a reforma da Previdência (aquela a que os petistas se opunham, lembram?), os servidores ganhariam mais. Eu disse ser impossível. Ele jogou uma cascata técnica em cima de mim. Pedi que me mandasse as contas para publicar no então vivíssimo Primeira Leitura. Ele prometeu. Nunca mandou, claro. Aquele site já morreu. O PT continua vivo. Berzoini continua vivíssimo...

O PT aparelha até Maquiavel. É a revolução do Menas

Esta dica me foi dada por um leitor, Eduardo Vellasques. O PT, acreditem!, aparelha até O Príncipe. Sim, aquele, o de Maquiavel. Vejam o que se lê num site do governo que torna disponíveis livros de domínio público (mantenho a sintaxe e a pontuação do autor da pérola): “(...) Nicoló Macchiavelli foi um gênio. Ou alguém conhece escritor dos anos 1500 que seja tão atual quanto ele? Um ex-ministro, poderosíssimo, deste país confessou, publicamente, que O Príncipe era seu livro de cabeceira. Falo sobre Delfim Netto. O Fernando Henrique, habituado a dizer bobagens, nunca confessou, mas basta ver suas atitudes e decisões para verificar que O Príncipe é mais que um livro de cabeceira, é Bíblia. As pessoas, neste país não lêem, ou o fazem mal. "O príncipe" deve ser analisado com cuidado. De forma indireta, é um libelo pela democracia e libertarismo. Prestem atenção, aprenderão muito e quem sabe, encontrarão o caminho da liberdade. Infelizmente nossos políticos não entenderam, ou não querem." Juro! Está assim mesmo lá. Reitero: trata-se de um site que traz lá o “gov”. Clique aqui para acreditar. Observem que, em 10 linhas, escreve-se duas vezes “neste país”. O Menas faz escola. Stálin, o facínora, que gostava de estudar lingüística, orgulhava-se de que os bolcheviques tivesse feito a revolução, mas preservado "a bela língua russa”. Nem a língua portuguesa sobreviverá a um ventual segundo mandato de Lula. Comecem a estudar tetun e peçam asilo no Timor Leste.

É preciso "menas" discriminação...

E já que o besteirol não tem limites, projeto da deputada Iara Bernardi (PT-SP), que está para ser sancionado pelo presidente Lula, obriga que os documentos oficiais se refiram a “brasileiros” e “brasileiras” e também veta que a palavra “homem” designe tanto os humanos do sexo masculino como os do feminino. A mulher quer mudar não apenas a língua portuguesa, mas também o latim. O correto passará a ser “homens” e “mulheres”. Como observa Luiz Antonio Ryff em nonsense, precisaremos corrigir o Hino Nacional: “Verás que um filho teu — e uma filha também — não foge à luta”... É verdade que é impossível piorar o Virundum. Qualquer mudança só o tornaria melhor. É uma pena que não se possa, a esta altura, emendar o projeto. Mas deixo aqui uma sugestão para a ocupadíssima Bernardi para jornadas futuras. Vamos pôr fim a outras discriminações. Peguemos o caso da palavra “menos”. Seja como pronome, nome ou advérbio, há um insuportável machismo na palavra. Por exemplo: “Apareceram menos companheiras nesta reunião do que na outra”. Politicamente errado: “Apareceram menas companheiras”. Em vez de eles dizerem que “esta questão da corrupção é o de menos”, dirão: “Essa é uma questão de menas” — ou, ainda, de “menas importância”. Paulo Ai que Saudades Francis chamava Lula de “Menas”. A patrulha esrquedrofrênica ficava furiosa com a discriminação. Era uma antevisão dos tempos. A revolução cultural está em curso. Pedi outro dia aquele travesti da Egüinha Pacotó para ministro (e ministra) da Cultura. Acharam exagero. É verdade: nomeiem a própria egüinha.

Cotas raciais no Congresso? Ué, por que não?

Eu tenho coisas em comum com o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ): dois braços, duas pernas, andamos com a coluna quase ereta etc. Mas sou obrigado a reconhecer: seu senso de humor um tanto abrutalhado, às vezes, acerta na veia. Não é que o homem apresentou um projeto na Câmara obrigando que a Casa cumpra a regra das cotas raciais? Ué, por que não? Ele próprio avisou que é um projeto-protesto, contra o qual ele próprio votaria. É claro que o texto nem chegaria à fase de votação porque esbarraria na Comissão de Constituição e Justiça, já que fere o princípio da igualdade entre os brasileiros. Mas e as cotas raciais nas universidades? Se há lugar em que os brasileiros devem estar proporcionalmente representados, esse lugar é o Congresso, certo? Ou Banânia é uma democracia ou se balcaniza de vez. Por que não eleger também vários presidentes: um negro, um branco, um mestiço? Depois, é só fazer a guerra civil. Os vitoriosos, em vez de recuar ao estágio anterior, aquele da odienta democracia, optariam, é óbvio, por uma ditadura. O deputado Luiz Alberto (PT-BA), presidente de uma tal Frente de Defesa Racial, ficou bravo com Bolsonaro. Não por causa do conteúdo do projeto, mas porque o próprio autor deixou claro que era um protesto e que votaria contra. Ou seja: Luiz Alberto achou a idéia bacana. Agora só falta chamar a mulher barbada e começar a fazer lançamento de anão no Congresso.

Berzoini analisa Alckmin: é para levar a sério?

Eu não cantei a bola aqui em A Parte e O Todo? Já está todo mundo atribuindo a ascensão de Geraldo Alckmin na pesquisa “à exposição” na mídia. Até Ricardo Berzoini, presidente do PT. No dia em que este senhor falar o que pensa, o purgatório será esvaziado, e o céu, superpovoado. Se é ele quem diz isso sobre os números, então não deve ser verdade. Como também não é verdade que o PT trabalhava com a perspectiva segundo turno. Mentira das grossas. Internamente, chegou a haver aposta na cúpula: o tucano poderia chegar atrás de Heloisa Helena. Não esperavam que o PSDB e o PFL (mais este do que aquele) fossem partir para o confronto com Lula e seu governo, como fizeram. E foi isso que moveu as pesquisas. Reitero: o Alckmin da boa governança deve ser uma das faces da campanha, para ampliar a vantagem no Sudeste, entre os mais escolarizados e de maior renda. A outra face deve estar voltada para a herança maldita de Lula. Eu insisto: nem todo pobre tem vergonha na cara, mas os há aos montes com a dita-cuja. Dá para vencer Lula. Só é preciso fazer oposição.

Guedes na Agricultura: hortinha, vaquinha, barrigudinho, Lula nos protegendo...

Vamos chamar tudo pelo nome? O MST, que já tem o Ministério da Reforma Agrária, manda agora também no Ministério da Agricultura, com a previsível e confirmada indicação para a pasta do o engenheiro agrônomo Luiz Carlos Guedes Pinto. A imprensa está dizendo que ele era o segundo de RobertoRodrigues, que pediu demissão, eque o substituía freqüentemente, o que indicaria continuidade da política. Duas coisas: Guedes Pinto foi imposto a Rodrigues pelo PT, coisa que o partido fazia nos ministérios e estatais quando não confiava no titular. 2) Se a política for a mesma, considerando que o setor perdeu R$ 30 bilhões em dois anos, que a área plantada está diminuindo, que os agricultores estão à beira da falência por causa do câmbio, isso é um sinal de que, em breve, pode faltar grama para todos pastarmos. Com Guedes, o agronegócio, definitivamente, deixa de ser prioridade e se vai falar da tal agricultura familiar, que remete à sociedade ideal do MST e de alguns padres de passeata: cada hominho, no seu pedacinho de terra, plantando a sua mandioquinha, sonhando com a carochinha... Tudo uma belezinha, com aquele bando de barrigudinho, e o Babalorixá da Banânia passando a mão na cabeça deles e pensando: "Como é gostoso cuidar de pobre!"