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PERFIL
Glória da moda
Na dúvida sobre o que vestir para
o casamento?
Ou com que meia combinar o sapato? Como conviver
com um ex no ambiente de trabalho? Simples: ouça
os conselhos de Gloria Kalil. Com bom senso e
paciência, a jornalista especializada em moda e
em etiqueta moderna ensina as pessoas a ser
adequadas. Em livros, na internet e no rádio,
ela difunde o bordão: "Ninguém é chique
se
não for civilizado". A primeira a colocar
isso em prática é a própria Gloria
Nana Caetano
Mario Rodrigues
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| Gloria Kalil, na sala de 100 metros quadrados
do amplo apartamento onde mora, nos Jardins: sofisticada, mas
sem afetação |
Ela é a antiperua da moda.
Anda de sandália rasteira, não usa batom forte, nunca
foi loira e, no dia-a-dia, prefere acessórios prateados a
dourados. Você não vai ouvir da boca de Gloria Kalil
nenhum daqueles maneirismos e afetações do povo fashion.
Chamar desconhecidos de "gata" ou "queridinha"? Nunca. Dar gritos
em público e bater palminhas sem razão? Jamais. O
conhecimento de moda se mostra nos detalhes: um cinto de lona com
a ponta desfiada usado para ajustar o blazer, unhas dos pés
pintadas de carmim, estampas de onça nos sapatos... Sinônimo
de chique, ela travou contato com o mundinho em 1969, quando entrou
para o núcleo de moda da Editora Abril, que publica Veja
São Paulo. De lá para cá, virou empresária,
escreveu livros de sucesso e se tornou uma espécie de celebridade
da elegância e do estilo. Faz palestras no país inteiro
e só não topa ser personal stylist nem de anônimos,
nem de celebridades. "Não tenho paciência", diz. Apesar
disso, na semana passada, em visita à loja de Carlos Miele,
nos Jardins, foi abordada por uma das clientes do estilista. "Gloria,
que bom que você está aqui! Tenho um casamento e estou
na dúvida sobre qual vestido comprar", choramingou. Ela não
só ajudou a escolher a roupa como ainda deu palpite sobre
o sapato e os acessórios que a moça deveria escolher.
A mais recente empreitada de
Gloria ("Só me chama de Glorinha quem não me conhece
direito") é organizar e emprestar seu prestígio a
um poderoso seminário internacional de moda, o Fashion Marketing.
Nas próximas terça (25) e quarta (26), reúne
estilistas, empresários, políticos e jornalistas no
hotel Gran Meliá World Trade Center, no Brooklin Novo, para
tentar responder à seguinte pergunta: por que a moda brasileira
brilha tanto mas não vende? Sua impressão pessoal
é de que há muito oba-oba por aqui. "Em nenhum país
a moda tem tanto espaço na mídia", afirma. "Em contrapartida,
pouquíssimas marcas e estilistas conseguem exportar." Ela
chamou pessoalmente especialistas como o presidente da Federação
Francesa de Costura, Didier Grumbach, a dona da butique-hype parisiense
Colette, Sarah (sem sobrenome mesmo), os estilistas Amir Slama e
Carlos Miele, o empresário Roberto Stern e o designer pop
Karim Rashid. Também falará Eliana Tranchesi, a dona
da Daslu, convidada quando ninguém suspeitava que a megaloja
seria alvo de uma operação da Polícia Federal.
Elegante, Gloria manteve o convite de pé. Ingressos esgotados,
são esperadas 600 pessoas, que pagaram até 1 500 reais
para tentar entender um pouco mais desse mercado que está,
sem dúvida, sob os holofotes. Só em São Paulo
há cinco grandes semanas de moda, com duas edições
anuais cada uma, além de quase sessenta cursos especializados,
com um total de 5.500 alunos. Trata-se de um mercado gigantesco.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria
Têxtil e de Confecção (Abit), o setor movimentou
cerca de 26 bilhões de dólares no ano passado no país
e emprega 1,6 milhão de pessoas, se contarmos desde os catadores
de algodão e as costureiras bolivianas do Bom Retiro até
as vendedoras das grifes luxuosas dos Jardins.
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| Com o estilista Carlos Miele, palestrante
de seminário organizado por Gloria: "Ela foi a primeira a tratar
a moda com profissionalismo" |
De relações de exportação
e importação ela entende. Gloria ficou conhecida nacionalmente
quando trouxe para cá, em 1978, a na época desejadíssima
grife italiana Fiorucci, depois de passar uma temporada trabalhando
na Scala D'oro, indústria têxtil do então marido,
José Kalil. Foi um sucesso retumbante até 1992, quando
a matriz internacional faliu e carregou junto o braço brasileiro.
Chegou a ter dezessete lojas e treze franquias. Em 1996, Gloria
resolveu reunir a experiência adquirida nesse contato direto
com a moda em um livro, Chic. Pioneiro no mercado, vamos
chamar assim, da auto-ajuda de estilo, vendeu 180.000 cópias
e deu ânimo à autora para encarar mais dois projetos:
Chic Homem e Chic[érrimo] (juntos, os três
venderam 350 000 cópias). Esse último, mais do que
um guia de moda, é um manual de etiqueta moderna. Ali, Gloria
questiona comportamentos como ser esnobe ou insistente e ensina
a sair de saias-justas, portar-se em eventos sociais e, claro, vestir-se
corretamente.
"Seus textos trazem palavras
de sensibilidade e bom senso", diz a também jornalista de
moda Erika Palomino. Gloria tem ainda um programete de um minuto
na Rádio Eldorado, e suas dicas espertas lhe renderam neste
ano o prêmio de revelação do rádio concedido
pela Associação Paulista de Críticos de Artes
(APCA). Multimídia, dirige um site, o Chic, no qual, além
de publicar críticas de desfiles e notícias do mundo
da moda, dá continuidade às tais palavras sábias
que encantam Erika. Na semana passada, por exemplo, ensinou os internautas
a conviver com o ex-namorado que é colega de trabalho.
Mario Rodrigues
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| Na redação do site Chic, um
de seus muitos projetos: "Nunca assinei um texto que não
fosse escrito por mim" |
Ela tira muitos dos conselhos
que dá de sua própria vida. Separada desde 1980 de
José Kalil (seu nome de solteira é Rodrigues Meyer,
mas ela adotou profissionalmente o nome do ex-marido), ainda divide
com ele o escritório e o tem como um de seus melhores amigos.
É madrinha de um dos filhos do ex-cineasta Arnaldo Jabor,
com quem se relacionou por quatro anos. "Dificilmente se mantém
esse tipo de amizade com um ex", afirma Jabor. "Gloria é
uma mulher superior, requintada. É a pessoa mais chique de
São Paulo." Ela acredita que, passado o rumor que toda separação
provoca, a amizade tem de continuar. "São pessoas ótimas
que eu não quero que saiam de perto", conta. Há dez
anos namora (em casas separadas e com a maior discrição)
o professor de filosofia da USP Sergio Cardoso. "Não gosto
de conviver apenas com gente que só pensa em moda", explica
ela, que tem entre seus melhores amigos jornalistas, intelectuais
e empresários. Filhos, garante que nunca quis. "Eu pensava
que mais tarde teria vontade, mas essa hora nunca chegou."
É uma mulher de gostos
refinados. Nas paredes do apartamento de 340 metros quadrados onde
mora, nos Jardins, há obras de arte de artistas como Arthur
Luiz Piza, Siron Franco e Daniel Senise. Na estante, livros de arte
e CDs de música clássica. É constantemente
vista em vernissages e concertos, como os da Sala São Paulo,
da qual é assinante. Fala francês, inglês, italiano
e alemão, idioma que aprendeu em casa, com a governanta germânica.
Eventualmente, vai ao Estádio do Pacaembu ou ao do Morumbi
acompanhar o desempenho de seu clube do coração, o
Corinthians. "Adoro futebol. Já ganhei até na loteria
esportiva", lembra. Desde o começo do ano, decidiu que não
fala mais sobre sua idade. "É uma falta de educação
enorme perguntar esse tipo de coisa", ensina. Para ela, manter a
silhueta esguia pesa 48 quilos, mede 1,63 metro e, como quase
toda mulher, acha que está um pouco gorda é
o maior segredo para permanecer jovem. "Se você se comportar
como uma velha aos 50 anos, como acontecia nas gerações
passadas, ainda vai arrastar essa velhice por muito tempo", diz.
Ela parece mesmo uma garota. Tem riso fácil, olhos verdes
brilhantes e voz suave. Talvez por isso soe estranho ouvir o porteiro
ou a secretária chamando-a de "senhora" ou de "dona" Gloria.
"Eu já devia estar acostumada, mas não estou."
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SEU ESTILO
Gloria analisa as produções
de algumas celebridades que foram fotografadas
para a seção Meu Estilo de Veja São
Paulo
Mario Rodrigues
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Marília Gabriela
Jornalista
"Usa a moda com sofisticação.
É um acontecimento. Sabe que não precisa
de um decote exagerado, por exemplo, para ser olhada.
A altura permite que ela escolha sapatos de noite sem
salto." |
Isabella Fiorentino
Modelo
"O longo foi uma moda louca do verão, emplacou
mesmo. O jeito contemporâneo e fashion de usar é
com sandálias rasteiras, como fez Isabella. Já
no inverno vai ser tudo muito curto. Meu conselho é
passar a tesoura nos vestidos e usar com meia-calça
grossa." |
Renata Ursaia
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Gui Paganini/Contigo
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Daniella Cicarelli
Apresentadora de televisão
"Ela é perfeita e nem de terninho superclássico
deixa de ser exuberante. Para usar essa calça justa
a mulher não pode ter culote, celulite, nada..."
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Débora Falabella
Atriz
"A Débora é uma graça, tem muito
estilo e quase nunca erra. Essa roupa especificamente
não a favorece porque, com tantos babados e camadas,
corta o corpo e dá a falsa impressão de
que ela é baixinha e gordinha." |
Alexandre Schneider
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Mario Rodrigues
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Roberto Justus
Publicitário
"É a versão masculina da perua: se
acha lindo e se porta como tal. Mesmo o terno clássico
fica chamativo por causa da postura." |
João Gordo
Apresentador de televisão
"Ele inventou um personagem para si mesmo e
se veste de acordo. Também, não teria mesmo
muita opção. É um tipo." |
Mario Rodrigues
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Mario Rodrigues
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Raul Cortez
Ator
"Sempre foi chique e teve como aliado o fato de ser
alto e magro. O grande perigo do estilo clássico
é ser convencional demais. Temperado com toques
pessoais, como esse cachecol jogado, fica muito interessante." |
Nilmar
Jogador do Corinthians
"Jogadores se destacam pelo corte de cabelo. É
o jeito de expressar a individualidade, mesmo de uniforme.
Só funciona para rapazinhos. E em campo." |
Mario Rodrigues
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